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Colesterol equilibrado

Os níveis elevados da gordura continuam por trás dos males cardiovasculares, mas há suspeitas de que índices muito baixos estariam ligados ao câncer e à depressão. Por isso, fique atenta às medidas para manter as taxas no ponto certo.

Colesterol equilibrado

Antes de mais nada, precisamos dizer que o colesterol é importante para o nosso organismo! Todas as células precisam de colesterol, pois ele faz parte das suas membranas e é fundamental para a produção de hormônios. Certamente, não é essa a fama que você conhece dele, isso porque a LDL – uma das partículas que transporta o colesterol pelo corpo – o colocou em maus lençóis. Mas, se de um lado o excesso de colesterol traz problemas à saúde, sua ausência também traz: alguns estudos notaram uma associação entre doses mais baixas de LDL e uma maior incidência de câncer.
A questão é bastante controversa. Segundo um trabalho da Universidade de Hong Kong, houve mais casos de câncer entre os voluntários com níveis muito baixos e também naqueles com níveis muito altos de LDL. A comunidade médica vê com cautela a conclusão, já que o trabalho é um dos primeiros a falar disso. Muitos especialistas acreditam que independentemente da situação, o baixo índice de LDL não é responsável por tumores e ressaltam que isso poderia ser mais uma conseqüência do câncer, que necessita de colesterol para crescer.
Se LDL de menos pode indicar uma bagunça no organismo, doses a mais também seriam sinal de algo errado. É o que acontece com pacientes de câncer que têm caquexia, uma condição marcada por perda de peso e mau aproveitamento de nutrientes. Neles, os órgãos não captam direito o colesterol da LDL que sobra na circulação, o fígado passa a produzir mais moléculas e o resultado disso é o aumento das taxas. Ou seja, quando as doses de gordura no sangue estão na medida certa, temos uma pista de que o corpo vai bem.
Com a mente não é diferente. Observou- se, há algum tempo, que níveis rasteiros de colesterol propiciariam a depressão. No entanto, isso foi posto em xeque, porque os cientistas também flagraram níveis elevados da gordura nos deprimidos. Seria então bobagem pensar em uma conexão entre a gordura e a confusão no cérebro? Nada disso. O colesterol é importante para a membrana dos neurônios. Níveis muito baixos ou, por outro lado, altos demais prejudicariam a comunicação entre essas células. A relação com os estados depressivos parece estar justamente nesses extremos. Portanto, quem pretende afastar a melancolia ou até dias de fúria deve se guiar pelo equilíbrio das taxas.
Taxas de LDL nas alturas, aliás, têm se revelado inimigas ainda mais poderosas do cérebro. Há trabalhos que as associam à demência vascular causada por derrames e à doença de Alzheimer. A parceria com essa última doença, que vai apagando a memória, é justificável: uma carreata de LDL estimularia a formação das proteínas capazes de danificar os neurônios.
Outro aspecto mais do que comprovado é o papel das altas cargas de LDL na gênese dos males cardiovasculares, a maior causa de morte no planeta. Em doses exageradas, a substância tende a penetrar e permanecer na parede das artérias. Cria-se, então, o ambiente perfeito para que outras LDLs se acumulem, construindo aos poucos a placa de gordura que entope os vasos.
Nem de mais, nem de menos você já percebeu que equilíbrio é palavra-chave em matéria de colesterol. É claro, porém, que as pessoas que convivem com um problema cardiovascular devem controlar com mais rigor os níveis de LDL.
Como, então, mantê-los na medida certa? Em primeiro lugar, não se prive do sono. Um estudo da Universidade Nihon, no Japão, constatou: homens que repousam cerca de oito horas por noite correm menos risco de ficar com o LDL nas alturas. Até porque quem dorme pouco se sente cansado durante o dia e tende a ficar sedentário. Não se exercitar, de fato, é um gatilho para gordas taxas de LDL e níveis modestos de HDL, a versão protetora de transporte de colesterol.
Sem atividade física fica difícil regular esses índices. O hábito de praticar exercícios levanta as doses de HDL e ajuda a melhorar também o funcionamento dela.
Colesterol na medida exige também uma dieta equilibrada. Nem mesmo as pessoas que apresentam doses mais humildes de LDL têm passe livre para se empanturrar de alimentos ricos em colesterol. O que todos deveriam maneirar seria no consumo de carnes vermelhas e de alimentos cheios de gordura trans por exemplo. Para quem já sofre de doença cardíaca ou tem LDL de sobra, esse conselho vira um mandamento. O bom negócio é temperar o cardápio com as gorduras monoinsaturadas do azeite e as poliinsaturadas dos peixes, e completá-lo com as sempre bem-vindas frutas e verduras. Medidas como essas – simples, mas que cobram nosso esforço – ajudam a manter o colesterol ajustado.


Fonte: Revista Saúde

Tags: saúde, medicina, colesterol

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